Crítica de ‘Arco’: Uma Fábula Animada Pronta para Quebrar (e Curar) Seu Coração

por Redação Pop Twist
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A Magia de Voar em Arco

Quando eu era criança, minha mãe teve que me impedir de saltar pela janela. Não por razões sombrias ou imprudentes, mas porque eu assisti Kiki: Entregas Mágicas tantas vezes que estava convencido de que poderia voar. A forma como isso era retratado na tela — a leveza, a sensação de possibilidade, a certeza de que eu aterrissaria em segurança, mesmo sem saber que isso não era realista ou lógico — ficou gravada na minha mente.

Uma Nova Perspectiva Sobre a Solidão e a Conexão

Décadas depois, agora com um pouco mais de sabedoria e um medo patológico de cair, fui lembrado daquela sensação ao assistir Arco. O filme, que recentemente recebeu uma indicação ao Oscar, é dirigido pelo francês Ugo Bienvenu e traz uma nova interpretação da mágica cinematográfica do voo, enquanto conta uma fábula que fará seu coração tanto se partir quanto se elevar.

Arco gira, em parte, em torno de seu protagonista homônimo (dublado por Juliano Krue Valdi): um menino que cresce em uma cidade futurista entre as nuvens no ano de 2932. Arco é jovem demais para se juntar à sua família enquanto eles usam trajes coloridos como arco-íris para viajar no tempo… mas isso não o impede de roubar a tecnologia e sair em sua própria aventura. Ele acaba, sem querer, no ano de 2075, onde conhece uma garota solitária chamada Iris (dublada por Romy Fay), e juntos começam a traçar um plano para que ele consiga voltar para casa.

Comparações que Encantam

O que se desenrola a partir daí pode facilmente ser comparado a Kiki: Entregas Mágicas e às grandes obras do Studio Ghibli, além de ter uma pitada de E.T., O Extraterrestre. Mas, dentro dessa sensação de familiaridade, há algo incrivelmente único. Qualquer trope que possa parecer previsível ainda impacta de maneira significativa, e existem camadas na narrativa que exploram a solidão, a conexão e a possibilidade.

Visuais Deslumbrantes e Emoções à Flor da Pele

Ajuda, também, que os visuais de Arco sejam deslumbrantes, de uma forma que parece apropriada para os arco-íris que estão no centro do tema do filme, sem cair em escolhas estéticas óbvias. As sequências de voo são de tirar o fôlego, com um senso de realismo mágico que merece ser visto na maior tela possível.

No início, eu estava preocupado que o elenco de vozes, composto em sua maioria por nomes conhecidos, pudesse distrair da magia do filme. Mas, mais uma vez, essa familiaridade acabou se transformando em algo belo. Um subplot envolvendo o trio de Dougie (Will Ferrell), Stewie (Andy Samberg) e Frankie (Flea), três homens misteriosos em trajes neon que querem investigar a chegada de Arco, se desdobra em momentos de leveza e uma batida emocional encantadora.

A Decisão de Elenco que Toca o Coração

Para mim, a decisão de elenco mais profunda veio na forma dos pais distantes de Iris, dublados por Natalie Portman (que é uma das produtoras do filme) e Mark Ruffalo. As performances deles já teriam injetado emoção suficiente na narrativa… mas a escolha foi feita para que ambos também dessem voz a um papel adicional. Mikki, o robô babá da família, com uma estatura que lembra tanto o G.I. Robot quanto Robby, de Planeta Proibido, é dublado pelo próprio Bienvenu na versão francesa do filme. Contudo, nesta versão, as vozes de Ruffalo e Portman são sobrepostas, criando uma dissonância tonal que se torna mais bizarra e bela à medida que o filme avança.

Isso também se torna um sentimento bastante carregado em relação ao papel de Mikki na vida de Iris: como uma extensão física de seus pais ausentes e da versão idealizada deles que poderia estar em sua vida em circunstâncias diferentes. Sem revelar mais spoilers, essa é uma escolha inspirada que não só leva a um dos momentos mais emocionantes do filme, mas que também me fez repensar minha posição sobre assistir filmes estrangeiros legendados versus dublados.

Um Impacto Duradouro

Quando cheguei às últimas cenas de Arco, percebi que o filme havia me deixado sem fôlego. Não apenas por causa das deslumbrantes sequências de voo, mas pela essência emocional pungente, que entrega um impacto que afirma a vida e que precisa ser visto para ser acreditado. Não há como prever se Arco ganhará o Oscar em um ano já tão competitivo, mas estou feliz que (como seu protagonista) o filme está aterrissando em nossas vidas exatamente no momento certo.

Arco fará sua estreia nacional nos cinemas na sexta-feira, 30 de janeiro.

Sobre a Autora

Jenna Anderson é a apresentadora do canal Go Read Some Comics no YouTube, além de ser uma das anfitriãs do podcast Phase Hero. Ela escreve profissionalmente desde 2017, mas ama a cultura pop (especialmente quadrinhos de super-heróis) desde a infância. Você geralmente a encontrará tomando um grande café gelado do Dunkin e falando sobre quadrinhos, personagens femininas e Taylor Swift a qualquer oportunidade.

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