A Nova Sensação da Netflix: Cashero
Em um cenário midiático repleto de histórias sobre super-heróis, pode ser desafiador trazer algo novo e empolgante para o gênero. Na mais recente série KDrama da Netflix, Cashero, adaptada do webtoon da equipe befar, há uma grande aceitação dos clichês já conhecidos. Com a adaptação feita pelos roteiristas Lee Je-in e Jeon Chan-ho, a série acaba jogando um pouco na zona de conforto, resultando em uma certa previsibilidade, além de uma falta geral de sutileza quando se trata de dinheiro e poder. Mesmo Lee Jun-ho, com todo seu carisma e dedicação, não consegue salvar a situação.
A História de Kang Sang-un
Cashero acompanha a vida de Kang Sang-un, interpretado por Lee Jun-ho, um servidor público que enfrenta dificuldades financeiras e sonha com um milagre que o ajude a comprar um apartamento para ele e sua namorada de longa data, Kim Min-suk, vivida por Kim Hye-jun. Justo quando ele se prepara para realizar essa grande mudança em sua vida, seu pai, Jung Seung-gil, através de uma troca monetária, transfere seu poder para Sang-un. A pegadinha? Para usar esse poder, ele precisa de dinheiro. Quanto mais dinheiro ele tem, mais forte ele se torna. Não é preciso ser gênio para perceber a metáfora evidente aqui.
Apoio e Regras
Surpreendentemente, sua namorada se mostra bastante apoiadora em relação a essa nova habilidade, embora imponha algumas regras sobre como Sang-un deve lidar com seu dinheiro a partir de agora. Essa dinâmica oferece um breve vislumbre de como a escolha consciente de não fazer o bem pode se manifestar como karma negativo e desconforto, mas essa reflexão não dura muito tempo. A mesma sorte não se aplica à sua anonimidade, já que ele se torna uma sensação viral ao usar seu poder, financiado pelas economias de sua mãe, para salvar um grupo de pessoas em um ônibus que estava prestes a cair de uma ponte. Infelizmente, esse é o ponto alto da série.
Um Enredo Previsível
Cashero começa de forma promissora, com Sang-un e Min-suk tentando descobrir como lidar com os poderes recém-adquiridos de Sang-un. A partir desse ponto, a série passa por uma lista de clichês de enredo que carecem de profundidade. Existe um grupo claramente vilanesco, chamado Mundane Vanguard, que sequestra outros indivíduos superpoderosos para experimentos, e um grupo de resistência tentando sobreviver e detê-los. Ambas as facções estão em busca de Sang-un, com o Mundane Vanguard fazendo de tudo para arruinar a vida dele no processo de conseguir o que deseja. Para quem conhece bem o gênero de super-heróis, é fácil prever para onde a história irá, antes mesmo de chegar lá.
Personagens e Participações Especiais
A Sociedade dos Super-humanos Coreanos, também conhecida como o grupo que tenta salvar Sang-un, traz algumas participações especiais notáveis, incluindo Cho Bo-ah e Kim Won-hae. Kim Won-hae, em particular, aproveita ao máximo seu tempo de tela, destacando seu lado cômico natural para maximizar a excentricidade de seu personagem, o Velho Do. Embora as participações sejam divertidas, os personagens Byeon Ho-in, interpretado por Kim Byung-chul, e Bang Eun-mi, vivida por Kim Hyang-gi, assumem o centro das atenções nesse grupo, atuando como transmissores de informações e apoiando Sang-un em sua jornada heroica.
Falta de Profundidade
Os grupos de personagens introduzidos, como o grupo Jeongja Loans e o Mundane Vanguard, são mal desenvolvidos, com o primeiro tornando-se cada vez mais desnecessário para a trama à medida que a história avança, além da conveniência monetária. Os vilões, especialmente Jo Anna, interpretada por Kang Han-na, e Jo Nathan, vivido por Lee Chae-min, são genericamente fracos, com o roteiro não oferecendo a nenhum dos atores muito a fazer. Mesmo com a reunião de ambos após Bon Appetit, Your Majesty!, suas habilidades ficaram evidentes, mas aqui não se destacam.
A Performance de Lee Jun-ho
Como protagonista, Lee Jun-ho tem mais material para trabalhar, conferindo a Sang-un uma confusa e resiliente naturalidade que alguém colocado nessa situação precisaria. Mesmo com alguns momentos questionáveis de CGI nas cenas de ação, seu carisma e descontração brilham. Especialmente na esperada batalha um-a-um que Cashero sempre levou em direção, onde ele realmente parece se divertir.
Diálogos e Escrita Fraca
Ainda assim, nem mesmo Lee Jun-ho consegue salvar Cashero de seu fraco roteiro e diálogos. Para garantir que a audiência não perca a conexão entre dinheiro e poder, Lee é obrigado a entregar algumas falas didáticas via narração, discorrendo poeticamente sobre dinheiro de uma forma que deixa claro o que os roteiristas desejam que o público entenda. É uma abordagem tão sutil quanto um tijolo na cara.
Momentos Brilhantes
Não se pode dizer que a série não tenha seus momentos brilhantes. A forma como Sang-un e Min-suk navegam essa mudança repentina em suas vidas proporciona alguns dos momentos mais genuínos em Cashero. Com um valor monetário real atrelado ao poder de Sang-un, explorar as nuances desse relacionamento poderia ter sido um atrativo suficiente para uma série inteiramente dedicada a isso. Também há um foco maior nos personagens, que são apenas dois dos poucos que realmente têm alguma substância.
O Peso das Relações
Entretanto, o relacionamento do casal, assim como o de Byeon Ho-in e Bang Eun-mi, acaba sendo sobrecarregado. Com muitos personagens introduzidos, muitos dos quais são unidimensionais, e algumas sequências de luta geralmente aceitáveis, fica claro que o enredo é priorizado em relação ao desenvolvimento dos personagens, a fim de cumprir a promessa não falada da energia intensa típica do gênero.
Falhas na Narrativa
Geralmente, isso não é necessariamente algo ruim, desde que a trama seja bem executada. Infelizmente, surgem buracos de enredo em alguns personagens secundários, como Lee Su-eun, interpretada por Shin Soo-hyun, que sofre uma mudança de personalidade abrupta e de repente ganha poderes. Para uma série que se orgulha de dar respostas óbvias, essa foi uma das omissões mais gritantes que surgiram. O subdesenvolvimento do grupo Jeongja, entre outras coisas, oferece pouco no final, mas prejudica o ritmo e confunde o que, para todos os efeitos, é uma trama bastante convencional.
O Desempenho de um Elenco Promissor
Embora a série seja curta, Cashero não consegue tornar a experiência de assisti-la valiosa com sua narrativa. Apesar de contar com um elenco relativamente forte de intérpretes, a escrita deixa a desejar, oferecendo muito pouco para que eles trabalhem. Nem mesmo Lee Jun-ho é poupado, embora ele faça o possível para elevar o material e dar o melhor de si. Em um mercado de super-heróis em constante crescimento, Cashero simplesmente não consegue decolar para deixar sua marca entre os demais.
Cashero está agora disponível exclusivamente na Netflix.
