A Controvérsia sobre os Papéis Femininos em “The Thing”: Explicação de Chris Gore

por Redação Pop Twist
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A Estranha Realidade de Ser Mulher na Internet

No último fim de semana, um post de uma conta do X chamada World of Statistics se tornou viral ao compartilhar um “fato curioso” sobre o filme The Shawshank Redemption, lançado em 1994. Conforme o tweet informa, “existem apenas dois papéis femininos com falas, totalizando cerca de 10 segundos em um filme de 2 horas e 22 minutos”.

A Contextualização do Filme

Como muitos comentários apontaram, isso é em grande parte um reflexo do fato de que o filme se passa em uma prisão masculina, em uma época em que a equipe e os funcionários eram majoritariamente segregados por gênero. Entretanto, o tweet viralizou, em parte, porque alguns homens na internet aproveitaram a oportunidade para celebrar filmes que têm pouco ou nenhum papel feminino. O escritor e apresentador de TV Chris Gore, em particular, tuitou: “John Carpenter’s The Thing tem 1 hora e 49 minutos e não tem papéis femininos com falas”.

Um Detalhe Importante

É importante esclarecer que o comentário de Gore não é tecnicamente correto, uma vez que a esposa dele na vida real, Adrienne Barbeau, empresta a voz ao computador de xadrez que aparece no filme. No entanto, essa afirmação gerou muitas respostas de homens, brincando sobre como The Thing é ainda mais um “filme perfeito” porque não é necessário ouvir mulheres falando. Algumas respostas também mencionaram outros filmes com divisões de gênero semelhantes, como Lawrence of Arabia, de 1962, e Master and Commander: The Far Side of the World, de 2003.

A Estranheza da Discussão

Toda essa conversa é, no mínimo, bizarra. É bizarra porque muitas mulheres adoram todos os filmes que mencionei, especialmente a adaptação inovadora de Carpenter, The Thing. (Vale ressaltar que The Thing From Another World, a adaptação de 1951 da mesma novela, tem várias mulheres como membros principais do elenco.) E é bizarra porque… essa é uma métrica tão irritante para julgar um filme.

Você Está Sendo Estranho!

Não é segredo que existe uma disparidade de gênero em praticamente todas as áreas do entretenimento, especialmente na indústria cinematográfica. A representação das mulheres na tela tem oscilado desde o surgimento do cinema, mas ainda está longe de alcançar a igualdade, tanto na frente quanto atrás das câmeras. No entanto, alguns homens na internet têm encarado qualquer tipo de representação positiva de mulheres como um ataque a eles, como evidenciado pela conduta geral online ao longo da última década. Gore, por sua vez, se tornou conhecido por expressar essa mentalidade online, especialmente ao criticar a “wokeness” em franquias como Star Wars e o Universo Cinematográfico Marvel.

O Que Esperar Dessas Reações

É evidente que esses homens continuarão dizendo esse tipo de bobagem sempre que tiverem uma oportunidade. Mas agora, eles estão exaltando certos filmes clássicos por terem menos representação feminina — seja como uma escolha artística ou apenas como uma extensão lógica da história do filme — o que é, de fato, estranho. Não é como se essa conversa tivesse começado em resposta ao filme Mother Mary, da A24, que faz a escolha intencional de não ter papéis masculinos com falas. Esse fato, embora tenha captado brevemente a atenção das pessoas quando o filme estreou nos cinemas no mês passado, rapidamente deixou os cinemas (e infelizmente, sem muito alarde).

Reflexões Sobre Clássicos do Cinema

The Thing e Lawrence of Arabia são obras-primas do cinema, não refúgios para se esconder da “wokeness” dos dias de hoje. E, honestamente, se você precisa se esconder da mera ideia de algumas mulheres falando em um filme, isso diz mais sobre você do que qualquer outra coisa.

Imagem em destaque: Universal Pictures

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