O Destino Acerta em Cheio Neste Delicado Romance BL

por Redação Pop Twist
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O Encontro de Almas em "Soul Mate"

Todos nós começamos a vida cercados de estranhos, sem saber quais deles irão se conectar conosco e quais passarão despercebidos. Alguns podem dizer que aqueles que estão destinados a fazer parte de nossas vidas são escolhidos pelo destino, assim como os verdadeiros amores. No filme "Soul Mate" (Sourumeito), do escritor e diretor Shunki Hashizume, vemos como isso pode ser possível em um romance que se desenrola lentamente entre dois homens, atravessando o tempo e fronteiras de países. Embora o impacto dos episódios finais seja silenciosamente devastador, a esperança que permanece ao final vale a pena cada momento passado.

A Jornada de Ryu Narutaki

No início de "Soul Mate", Ryu Narutaki, interpretado por Hayato Isomura, leva uma vida normal. Ele vive e respira hóquei no gelo, jogando pelo time da universidade ao lado de seu melhor amigo, Arata Oikawa (Koshi Mizukami). No entanto, um momento privado e vulnerável entre os dois desencadeia uma série de eventos que levam a vida de Arata a desmoronar. Incapaz de lidar com a situação e assumindo o peso da responsabilidade, Ryu foge para Berlim para ficar com sua amiga de infância, Sumiko Shinonome (Ai Hashimoto). Ele não consegue deixar seu sentimento de culpa para trás até que, em uma noite, ele se encontra em uma igreja.

O Encontro do Destino

Mal sabe ele que o destino tem planos especiais reservados para ele. Um incêndio irrompe e, justo quando ele está prestes a desmaiar, Johan Hwang (Ok Taec-yeon) o protege. Este encontro fortuito leva os dois a se encontrarem novamente na luta de boxe de Johan e durante a investigação policial subsequente ao incêndio da igreja. Uma faísca se forma entre eles e os dois começam a se conectar. Assim, ao longo de oito episódios, testemunhamos como eles lidam com a vida, enfrentando seus próprios demônios, mas também aprendendo a curar e crescer juntos.

A Conexão Entre Dois Homens Solitários

O destino une dois homens solitários em "Soul Mate", e observamos enquanto eles aprendem a se reconectar. Para Ryu, sua jornada gira inicialmente em torno da culpa por como suas reações podem ter arruinado a vida de seu melhor amigo. Ele está inseguro sobre si mesmo e seus desejos, mas é uma boa pessoa. Sua luz brilha intensamente, independente de ele perceber isso ou não. Essa luz atrai Johan para Ryu como uma chama, mas, para Johan, essa luz representa perigo. Ela simboliza uma esperança que ele aprendeu a acreditar que não merece. Essa dinâmica torna os dois personagens cativantes de se assistir, mas quando as coisas se tornam turbulentas, fica claro como eles podem se desintegrar.

O Talento de Hayato Isomura

Como Ryu, Hayato Isomura captura bem sua jovialidade no início da série. Não há dureza ou arestas em sua atuação. Isomura encapsula a inocência que Ryu precisa para contrastar com o Johan mais cínico. À medida que o tempo avança em "Soul Mate", Hayato Isomura ajusta sutilmente a linguagem corporal e a persona de Ryu conforme ele entra na idade adulta, mas as experiências de Ryu nunca o endurecem, e isso é evidente na forma como Isomura utiliza seu olhar.

A Expressividade de Ok Taec-yeon

Ok Taec-yeon é expressivo tanto em seu rosto quanto em sua fisicalidade enquanto Johan. Em certos momentos mais cedo na série, isso colide com a direção dada, resultando em entregas de falas que podem soar desajeitadas e até piegas. No entanto, conforme a jornada de Johan avança em "Soul Mate", o personagem transita de arestas duras para uma calma madura; é possível perceber como Taec-yeon infunde essa sensação de segurança e confiança nas interações de Johan. E quando as coisas se tornam pesadas demais para Johan suportar, Ok Taec-yeon se entrega completamente nesses momentos.

A Relação de Sumiko com os Personagens

Uma adição surpreendente à história é Sumiko, interpretada por Ai Hashimoto, que inicialmente pode parecer uma personagem secundária. Contudo, essa percepção está longe da verdade. Sua jornada e relacionamentos com Ryu e, eventualmente, Johan abrem novas perspectivas sobre como os verdadeiros amores podem ser percebidos. Os verdadeiros amores podem ser mais do que românticos; eles podem ser platônicos. Essa ideia é reforçada nos eventos da segunda metade de "Soul Mate", quando a vida apresenta seus desafios a esses três personagens.

A Luta Contra a Solidão

A vida é repleta de provações e tribulações. É fácil sentir-se perdido e desesperado quando as bordas mais duras da vida começam a nos despedaçar. É nesse momento que a solidão se torna mais perigosa, e a relação entre Ryu, Johan e Sumiko em "Soul Mate" emerge como um testemunho necessário sobre a conexão humana e como ela nos mantém em movimento quando a esperança parece escassa. Isso se torna ainda mais claro no episódio final da série.

A Exploração da Solidão e Conexão

Embora em alguns momentos a exploração dos temas não seja sutil, há muito que Hashizume insere no roteiro que está pronto para discussão. A solidão é um elemento central, com cada personagem sendo afligido por ela de alguma forma ao longo da série, e por meio de discussões e monólogos, vemos a mensagem se desenrolar. Encontrar alguém para valorizar é um caminho para se libertar da solidão, mas uma vez que esse tesouro se vai, a ausência é inegável. Isso é o que torna esses tesouros, bem, verdadeiros tesouros.

A Importância do Momento Presente

De forma semelhante, o foco na vida cotidiana em "Soul Mate" reforça o quão fácil é esquecer de viver o momento. À medida que nossos personagens navegam pela turbulência de suas duas décadas de vida, há bastante drama compreensível que compõe alguns dos momentos mais memoráveis da série. No entanto, são nos momentos silenciosos, seja sentado em uma varanda, pescando com os pais ou mesmo levando uma criança para casa da escola, que se torna evidente o que também precisa ser lembrado. Não são apenas os extremos emocionais, mas é no mundano, no dia a dia que somos lembrados de que estamos vivendo.

A Estrutura da Narrativa e Flashbacks

Seja por questões de tempo ou facilidade de narrativa, "Soul Mate" deixa algumas histórias em aberto na primeira metade da série que, admitidamente, pareciam ter mais potencial para se desenvolver. Na segunda metade, há pouquíssimos retornos a esses momentos. Dado o impacto que tiveram na vida dos personagens, era necessário um efeito dominó mais forte. Da mesma forma, a irmã de Hwang (Lee Jae-yi) acaba desaparecendo na segunda metade da série até o final, apesar de ter desempenhado um papel importante em sua vida.

O Uso de Flashbacks na Narrativa

Isso nos leva ao uso de flashbacks na narrativa da série. Em certos momentos de "Soul Mate", são utilizados para aprofundar os relacionamentos entre os personagens de forma econômica e eficaz. Contudo, em algumas situações, especialmente durante uma revelação importante envolvendo um dos três personagens, isso pode soar como um recurso barato para indicar onde o público pode não ter percebido as pistas anteriores. Se uma revelação requer voltar para garantir que a audiência tenha visto as migalhas deixadas, então essas migalhas não eram grandes o suficiente para serem notadas na primeira vez.

A Essência de "Soul Mate"

No final das contas, "Soul Mate" brilha quando não está tentando se esforçar demais. Embora a série se baseie na vida cotidiana e em momentos comuns, houve ocasiões em que a trilha sonora parecia desconectada desse sentimento. Por exemplo, houve cenas com uma melodia alegre e animada quando deveriam ser mais contidas ou silenciosas, combinando com o tom da conversa. Em uma série que apresenta uma boa dose de drama, a trilha sonora precisava auxiliar nesse equilíbrio tonal, mas não conseguiu totalmente atingir esse objetivo.

O Impacto das Verdades Não Ditadas

O que realmente faz "Soul Mate" prosperar é quando a narrativa não está tentando tanto. Está nas verdades não ditadas, nos pequenos momentos ordinários que podem passar despercebidos se não estivermos prestando atenção. Esses momentos pontuam os grandes eventos da vida que acontecem na tela, tornando o impacto emocional devastador da série ainda mais profundo. E, no final, saímos com a ideia de que o amor não precisa ser sempre estrondoso e barulhento. Às vezes, ele pode ser silencioso, e o peso disso é ainda maior.

"Soul Mate" já está disponível para streaming exclusivamente na Netflix.

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